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Cachão
Lugar da Freguesia de Frechas, à distância
de 4 km, situada tal como a sede de Freguesia na margem esquerda do rio
Tua, ambas servidas pela EN 213. O topónimo Cachão tem a sua origem no rio
Tua, que neste local fazia um cachão.
Até à chegada da Federação dos Grémios da Lavoura do Nordeste
Transmontano, na década de 60 do século passado, foi um pequeno lugar,
onde residiriam aproximadamente 10 famílias.
Dada a sua localização, nos limites dos concelhos de Mirandela e Vila
Flor, servida pela linha do Tua, era um importante local de chegada e
partida, não apenas de passageiros, mas também de mercadorias.
Aqui localizava-se também um celeiro para armazenamento de cereais
produzidos na região, os quais daqui partiam, para ajudarem ao
abastecimento do País.
Era também um lugar de significativo interesse comercial, pois ainda hoje,
subsistem importantes vestígios das fortes casas comerciais que à época
aqui existiram.
Quanto a local de chegada e partida de passageiros, era aqui feita a
conexão dos passageiros oriundos de parte do concelho de Vila Flor,
através da empresa de transportes colectivos que nesta Vila existia, os
quais se dirigiam no sentido de Bragança, mas também em direcção ao
Litoral, através da linha do Tua.
Pela mão de um homem, não muito avantajado em termos físicos, mas portador
de uma perspectiva de desenvolvimento regional jamais igualável, chegou no
ano de 1962 a Federação dos Grémios da Lavoura do Nordeste Transmontano.
A partir desta pequena localidade, irradia uma luz de esperança para o
desenvolvimento não apenas do Concelho de Mirandela, mas para toda a
região.
Tudo quanto se produzia ou poderia vir a produzir em Trás os Montes, aqui
poderia ser fruto de transformação industrial tendo em vista a sua
comercialização, desde a castanha da Terra Fria, aos hortícolas da
Vilariça e Veiga de Chaves, da amêndoa de Moncorvo e Freixo ao vinho e
bagaço de uva do Douro, do gado de Miranda ao Barroso, tudo era aqui
transformado com vista não apenas ao mercado nacional, mas também para os
mais distantes mercados, chegando a haver clientes, não apenas na Europa,
incluindo a Rússia, mas também nos EUA, Canadá, Brasil e Japão.
Como forma de fixar os trabalhadores, oriundos de toda a região, desde o
mais qualificado técnico superior, ao mais humilde dos trabalhadores,
recorrendo inclusivamente à importação de mão de obra das antigas colónias
ultramarinas, foi construído o Bairro Social com mais de 100 moradias
unifamiliares.
Alojadas condignamente as famílias, foram também concretizadas todas as
infra-estruturas de apoio social: infantário, escola primária, posto
médico, cooperativa para abastecimento doméstico, centro de cultura,
desporto e recreio. Tudo foi pensado para o bem-estar de todos quantos
para aqui vieram em busca de uma vida melhor.
É também deste período a criação da Paróquia de Santo Isidro do Cachão,
tendo sido celebrada a primeira Missa pelo Reverendo Bispo da Diocese, no
então denominado "Salão da Lavoura".
Durante a década de 1970 a 1980, aqui chegaram a trabalhar cerca de 1200
pessoas. Por esta altura, segundo a opinião dos responsáveis, a Empresa
atingiu em termos financeiros o equilíbrio entre receitas e despesas.
O impacto económico na região era de tal forma importante, que em
Mirandela, dizia-se que todos os Sábados havia feira.
Com os conturbados tempos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974,
vicissitudes diversas, levam a uma progressiva degradação económica e
financeira da empresa, já então designada de "Complexo Agro-Industrial do
Cachão", que depois de lenta mas prolongada agonia, acaba por encerrar no
ano de 1992.
Posteriormente, em 1994 o Complexo Agro-industrial do Cachão, também
designado de Caica-Sa., é entregue à gestão dos Municípios de Mirandela e
Vila Flor, accionistas maioritários, passando então a designar-se de AIN
Agro-Industrial do Nordeste.
Esta entidade, dotada de nova configuração jurídica, face às novas
exigências, tem tentado de alguma forma a sua reconversão, alugando os
diversos espaços industriais aos mais variados sectores de actividades.
Contudo, em termos de empregabilidade, estará muito aquém do pretendido.
Não obstante, haverá actualmente cerca de 150 pessoas a trabalhar naquilo
que resta do sonho de um Transmontano arrojado, que contrariamente ao que
hoje é norma, pôs os interesses desta Região num plano superior aos seus,
bem como de sua família.
Nos tempos que correm, homens desta envergadura, infelizmente não
abundam... e como eles seriam úteis!
Tudo o que o Cachão foi, bem como tudo o que deste projecto ainda resta, é
fruto da atitude arrojada de um Homem que à época, ousou sonhar que a
nossa Região tinha e continuará a ter, condições para ser uma região
próspera e desenvolvida como qualquer outra do litoral do nosso País, e
porque não da Europa, por isso a nossa Região em geral e o Cachão em
particular só lhe deve gratidão. Por tudo isto e de uma forma simples, em
sua memória
dizemos, bem-haja Sr. Eng.º Camilo de Mendonça. |