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INSTITUIÇÕES
CASA DO POVO DE FRECHAS
Na tentativa de reavivar a história da Casa do Povo de Frechas, vimos
procurando os testemunhos das pessoas mais idosas, as quais nos possam
relatar aquilo que sobre o tema seja do seu conhecimento.
Nessa medida, falamos com um octogenário, de nome José dos Santos
Carvalho, natural e residente em Frechas, o qual nos transmitiu as suas
vivências da época.
Contou-nos que, por volta de 1940, tinha então 18 anos de idade, se
inscreveu como Associado da Casa do Povo, pagando à época a quota mensal
de 1$50 (Um escudo e cinquenta centavos) para ali poder partilhar com
outros, os seus tempos de juventude, dispondo nomeadamente dos jogos de
Damas e Dominó.
Nesse ano, a Casa do Povo, funcionava já no edifício da Praça, comprado a
César Aguiar, tendo-se ali mantido até à construção de novo edifício em
1967.
Como é sabido, as Casas do Povo foram instituídas pelo “Estado Novo” tendo
como missão a promoção social das populações rurais, quer ao nível
desportivo, quer ao nível cultural, tendo-se iniciado também os primeiros
passos no apoio médico-sanitário destas populações.
Conta-nos ainda JSC, que até essa época, a Casa do Povo, funcionou numa
sala de uma habitação hoje demolida, para dar lugar ao novo arruamento na
Praça do Pelourinho, a qual era propriedade de Beatriz Pereira do Lago,
pessoa bondosa e respeitada, mas também sempre preocupada com as questões
da Igreja, bem como com a promoção social das pessoas, daí a razão dessa
residência, ainda actualmente, quando pessoas de determinada idade a ela
se referem, lhe chamarem de “Sede”.
Quantos aos Órgãos dirigentes dessa época integravam-nos entre outros:
Gonçalo Rodrigues, José A. Esteves e António Trigo, todos já falecidos.
A primeira Casa do Povo
de Frechas foi inaugurada no dia 25 de Maio de 1950, como consta no livro
de Actas n.º 60, relativo aos anos de 1950 a 1953, da Câmara Municipal de
Mirandela, p. 5.
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Notícias recolhidas no jornal NOTÍCIAS DE MIRANDELA:
7/2/1965, p.3 -
Título: Construção da Sede Social da Casa do Povo de Frechas-Mirandela,
Autor: Eduardo Franco Ferreira
«Em cumprimento do deliberado pela Casa do Povo de Frechas, concelho de
Mirandela, em sua reunião de 1 de Julho de 1964, fez-se público que no dia
25 do mês em curso, pelas quinze horas, se procederá, nas instalações da
Brigada de Bragança da Comissão Coordenadora dos Serviços Médicos das
Instituições de Previdência, Palácio das Corporações, Bragança, ao
concurso público para arrematação da empreitada de construção da SEDE
SOCIAL DA CASA DO POVO DE FECHAS. Base de licitação: 379 800$00 (trezentos
setenta e nove mil e oitocentos escudos).
Para ser admitido ao concurso é necessário apresentar documento
comprovativo de ter feito na Caixa Geral de Depósitos, Crédito e
Previdência, suas filiais ou Delegações, o Depósito Provisório de 2,5% da
respectiva Base de Licitação, na importância de esc. 9 495$00 (nove mil
quatrocentos e noventa e cinco escudos), mediante guia passada pela
Brigada de Bragança, da Comissão Coordenadora dos Serviços Médicos das
Instituições de Previdência, Bragança, em qualquer dia útil até às 12 h do
dia do concurso.
O Depósito Definitivo, à ordem da mesma entidade, será de 5% do valor da
adjudicação.
O programa do concurso, condições técnicas (gerais e específicas) e
projecto, estão patentes todos os dias úteis, durante as horas normais de
serviço, na sede da Brigada de Bragança da Comissão Coordenadora dos
Serviços Médicos das Instituições de Previdência, Palácio das Corporações,
Bragança, onde poderá ser consultado por quaisquer interessados.
Bragança, 2 de Fevereiro de 1965
Brigada de Bragança da Comissão Coordenadora dos Serviços Médicos das
Instituições de Previdência
O Presidente
Eduardo Franco Ferreira»
2/10/1966, p.6 - Título: O Plano Comemorativo no concelho de
Mirandela
Autor: Rogério Reis
«Analisando os investimentos por capítulos, teremos: um edifício com 2
salas de aula na vila e adaptação dos antigos Paços do Concelho a parte da
Escola Técnica, no domínio da educação. Em abastecimento de água ou
melhoria do seu fornecimento são beneficiadas as freguesias de Abreiro,
Navalho, Torre de D.Chama, Avidagos, Mirandela, Passos e Romeu. Beneficiam
também de fontes públicas as povoações de Assoreira, Vale de Lagoa,
Caravelas, Freixedinha, Vila Verde, Aguieiras, Cedães e Fradizela.
No domínio rodoviário são consideradas as seguintes estradas ou caminhos
Municipais: Abreiro, Carvalhais, Lamas de Orelhão, Mirandela (CM 1084) e
Vale de Gouvinhas. Esperamos que a electrificação de Freixeda e de
Fradizela seja este ano um facto consolador, assim como a ampliação e
remodelação da rede da zona de Golfeiras.
O problema da pavimentação das povoações rurais começou enfim a ser
encarado à escala geral, com o que nos congratulamos dado que a sua
resolução contribui deveras para o bem-estar e para a saúde pública. À
despesa de 647 contos, pelo Fundo de Desemprego e de 583,8, pela
edilidade, correspondeu, respectivamente, a média de 34 e 30,7 contos, por
aglomerado tendo sido contempladas as localidades a seguir indicadas:
Abambres, Avantos, Longra, Ferradosa, Cabanelas, Rego de Vide, Romeu,
Franco, Frechas, Feixeda, S.Pedro de Vale do Conde, Mascarenhas, Pereira,
S.Pedro Velho, S.Salvador, Vale de Asnes, Vale de Salgueiro, Vale de
Telhas e Vila Boa. É certo que aqui ou além se terão calcetado escassas
centenas de metros, o que não impedirá que muitas freguesias continuem a
ser pântanos no Inverno. […]
Finalmente, o arranjo à volta dos actuais Paços do Concelho impõe-se que
seja uma realidade para fechar condignamente o ciclo comemorativo e para
dar à vila o cenário que tanto a Câmara como o Palácio da Justiça merecem.
É certamente ocioso escrevermos que Mirandela tem especiais
responsabilidades perante o distrito e até em toda a região transmontana.
Se a vila e o concelho não acompanharem o ritmo de trabalho das áreas
limítrofes serão por elas ultrapassados, isto é, mudar-se-ão, a nosso
pesar, dentro de anos, zonas de influência, nós de comunicações, e
possibilidades sócio-económicas sérias, males que de modo algum desejamos.
Cremos que o plano comemorativo deve significar somente uma brilhante
arrancada para o futuro e é com esse espírito que felicitamos os seus
promotores.»
16/7/1967, pp.1 e 2 - Título: Frechas e a Sua Casa do Povo
Autor: Rogério Reis
«A freguesia de Frechas é das localidades mais prestigiosas e com maiores
tradições no concelho de Mirandela.
Ela mesmo foi também concelho desde o reinado de Dom Afonso III a 1836,
ano em que seria extinto, como muitos outros, pela reforma administrativa
de Passos Manuel, pois, anteriormente havia cerca de quarenta em todo o
distrito de Bragança.
O rei bolonhês e Dom Manuel I (este em 1513) deram-lhe foral e honras de
vila.
O elegante pelourinho e os brasões de ilustres famílias documentam-nos a
importância regional de Frechas, que, segundo inquérito de 1796, tinha 131
fogos e 427 almas. Simultaneamente Abreiro possuía 217 fogos e 648
habitantes, Mirandela 1888 fogos e 6081 habitantes, Lamas de Orelhão 913
fogos e 2828 habitantes, Torre de D.Chama 712 fogos e 2680 habitantes,
cabendo ao também extinto concelho de Vale de Asnes 97 fogos e 326
habitantes.
É curioso registarmos que Frechas recebeu visitas pastorais (segundo Mons.
José de Castro) efectuadas por D.João Francisco de Oliveira (19.º Bispo de
Miranda) em 1708 e por D. António Bento Martins Júnior (13.º prelado de
Bragança e Miranda) em 1931.
A população da referida freguesia passou de 613 almas em 1864 para 1005 em
1960.
Situada a 1º Km da sede do concelho, da sua área administrativa fazem
parte o Cachão, anexo excepcionalmente bem localizado, onde se ergue o
melhor Núcleo Agro-Industrial do País e Vale da Sancha que pelo
Decreto-Lei n.º 27 424, de 13-12-1936, foi integrado na freguesia. Esta
goza de esplêndida situação geográfica, e, no quadro rural, é importante
ponto de comunicação ferro e rodoviária.
Vivendo a sua gente praticamente só da agricultura, é lógico que uma Casa
do Povo ali fosse instalada, como há longa data aconteceu. Em 1966 aquele
organismo corporativo tinha contudo apenas 307 associados, o que comprova
a deficiente cobertura social da extensa freguesia.
Após o resumido panorama em que a mesma se enquadra, associemo-nos ao
júbilo de Frechas por receber a honrosa visita de S. Ex.ª o Ministro das
Corporações, Sr. Prof. Dr. Gonçalves Proença, para inaugurar o novo
edifício-sede da Sua Casa do Povo, sem dúvida dos melhores do distrito,
arquitectónica e funcionalmente.
Não se criam ou alargam todos os dias Casas do Povo, mas é evidente que
semelhante instituição tem de efectuar obra meritória para ser ruralmente
válida. A de Frechas, dispondo em 1965/66 da média de 28,7 contos em
despesas, carece em absoluto de uma protecção que lhe possibilite
afirmar-se nos domínios da cultura, da doutrinação, da assistência e até
da preparação profissional e artesanal.
Ao abrirem-se em diferentes e melhores moldes as portas do novo edifício
se dá a oportunidade de operar uma pacífica revolução social ou estaremos
a construir na areia, areia que não resistirá aos salutares vendavais da
industrialização e da emigração maciça.
Cremos firmemente que a Casa do Povo de Frechas tem elevada missão a
desempenhar, não apenas para soerguer a freguesia como também para assumir
persuasivamente a liderança sócio-rural que lhe compete. Como? Alargando
imediatamente o seu âmbito através da fundação de Delegações suas nas
freguesias de São Salvador, Vila Verde e Freixeda, mas, sem ferir a
sensibilidade desses povos – socialmente por completo desamparados. Como?
Instituindo dentro da sua nova sede Centros de Cultura, de artesanato, de
assistência e de formação múltipla (profissional, agrária, familiar, etc)
efectivamente eficientes e convincentes. Como? Procurando rodear-se de
colaboradores idóneos aos quais estimulará, pagará bem e exigirá labor
fecundo, logo, autêntico apostolado social.
Não olvidemos, nem por um momento, que a hora e os meios rurais solicitam
sobretudo acção, já que teorias perfeitas e boas intenções se revelam
insuficientes para a reabilitação da província.
Como se não bastasse a monotonia de um longo clima feudal que urge
ultrapassar, Frechas estará proximamente perante três problemas: o
agro-industrial no Cachão; o hidro-agrícola no rio Tua e o demográfico
motivado pelo êxodo. Ora, qualquer [um] deles tem, como é obvio, fortes
implicações sociais que põem à prova as estruturas da Casa do Povo e até o
prestígio do Regime que a mantém.
Eis porque o momento de inauguração pode e deve ser uma hora de esperança
que transforme uma Casa do Povo aparentemente débil em Unidade-Piloto em
zona para isso especialmente dotada.
Para além da alegria que todos sentimos pelo evento, como das esperanças
que depositamos no Posto da Telescola, vão os votos ardentes de que a
Frechas seja feita inteira justiça por quem está autorizado a
distribuí-la: o Governo da Nação.»
23/7/67 - Autor: REIS, Rogério
Título: Um discurso elegante
Foi-nos extremamente grato ouvir, na inauguração da sede da Casa do Povo
de Frechas o discurso do querido coronel Oliveira Faria.
Falando na sua função de presidente da assembleia-geral daquele organismo
corporativo, o orador deu-nos mais uma lição de civismo e de devoção
regional. De civismo porque soube encontrar o feliz equilíbrio da justiça,
de gratidão, do interesse colectivo. Não endeusou ninguém, nem a ninguém
magoou.
Serviço de devoção regional porque comovidamente serviu a freguesia de
Frechas e a sua Casa do Povo.
Esta instituição local é, evidentemente, produto de muita dedicação,
guiada e amparada pela cadeia de sucessivos delegados do INTP. Se ao bom
amigo Dr Justino Falcão ela deve notável impulso, ao Dr Homero Lousada
deve igualmente o carinho com que a tem sabido rodear. Mas a assistência
da missão de acção social do arquitecto que tão inesperadamente a
concebeu, das autoridades administrativas estatais – todos cumprem como
portugueses, conscientes de que o êxito da complexa batalha social é mais
fruto da justiça do que de factores emocionais. Palavras estimulantes e
sentidas do coronel Faria, não polarizou aqui ou além o esforço aliás
honesto e válido. Agradeceu a todo o mundo, servindo Frechas. A justiça
distributiva não tem apenas aspectos económicos, mas igualmente
implicações de ordem moral, jamais podem confundir o reconhecimento.
Diríamos melhor, que a gratidão não exclui o apreço geral. Devemos criar
mentores, mas nunca ídolos. Cumpre-nos honrar os amigos, mas não impor a
sua beatificação em foro alheio.
Para sermos coerentes, era-nos lícito recordar quanto Frechas deve a um
antigo membro do governo, mas foram afinal diversos os que dentro do
presente regime espalharam benefícios pela povoação multissecular. Eis a
lição de um discurso, quiçá longo, mas pertinente.
O prestigioso ministro, que é o sr Prof. Gonçalves Proença, anunciou
publicamente a criação de um curso de telescola na referida Casa do Povo.
Pois se é pela via do ensino e da formação profissional que mais
dignamente se forma a juventude, temos de felicitar quem promove tão feliz
aproveitamento de valores, colocando-os em devido tempo ao dispor da
economia nacional. Mas, quando tudo isso se processa nos meios rurais, tão
auspicioso acontecimento oferece o sabor de redenção da pessoa humana.
Redenção pelo saber, pelo trabalho convenientemente aproveitado, pelas
vocações dignamente encaminhadas, pela abertura de inéditos horizontes a
inteligências ignoradas e pela formação de um mundo melhor.
O discurso elegante que escutámos em Frechas teve esplêndido ponto final,
pois vimos que os altos poderes irão ali iniciar uma política social
séria. (p.1)
Em conversa com o coronel Faria dissemos que a sua patente, o facto de ter
tomado parte activa no movimento do 28 de Maio e o residir em Frechas são
motivos ponderosos. Quem duvidará que Mirandela deve ao oficial distinto
uma elegância que nos sensibiliza? Posto ao serviço de uma política de
verdade, o seu ideal de nacionalista de 1ª hora tem um mérito apreciável:
está no ocaso da existência, ao dispor de uma revolução, o que deveria ser
jovem de 41 anos.
A Casa do Povo de Fechas deve ser, como noutro lugar, lapidarmente
proclamou o actual delegado do I.N.T.P., uma Casa de Vida.
Embora nos possam apelidar de «mortos» ou de utopistas que ambicionam
fazer circunferências quadradas, vamos colaborando na tarefa ingente de
valorização regional com a certeza de que a Revolução – pacífica e
tolerante, entenda-se bem — continua no respeito e apreço que a todos
devemos, como na eficiência que se traduza por um permanente
rejuvenescimento.
Num mundo sem certezas e da promoção sócio-rural tem de pesar como
obstinada directriz – para que sejamos dignos das populações humildes e do
que à Pátria devemos.»
23/7/67 - Título: Visita ministerial ao concelho de Mirandela
O sr Prof Dr José João Gonçalves de Proença, ilustre Ministro das
Corporações e Assistência Social que se fazia acompanhar pelo secretário
Dr Abreu e Lima.
Em seguida, acompanhado das autoridades distritais e concelhias dirigiu-se
para a povoação do Romeu, onde pelas 14 horas, no restaurante Maria Rita,
como estava previsto, teve lugar o almoço que o governo civil de Bragança
ofereceu a Sua Excia o ministro das corporações ao qual assistiram mais de
5 dezenas de individualidades, eqto na vila de Mirandela, em requintado
ambiente particular, a sua digníssima esposa era obsequiada de idêntica
forma.
O novo salão do modelar restaurante foi o feliz palco onde teve lugar o
ágape que reuniu a mais selecta assistência do nosso distrito que de algum
modo estava ligada aos actos festivos.
Em dado momento, as encantadoras crianças que são recebidas no infantário
do Romeu brindaram todos os assistentes com curiosos nºs de cantares e de
dança. (p.1)
Em Frechas (depois do Romeu), onde chegou cerca das 17 h, o sr ministro
das corporações foi recebido por muito povo, pelo estrelejar de morteiros
e pelos acordes do hino da Maria da Fonte, executado pela banda de música
da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Mirandelenses. O grupo
folclórico da freguesia exibiu-se com as suas danças e cantares regionais.
Em seguida, depois do edifício da Casa do Povo ter sido benzido pelo Rev.º
Horácio José Morais, pároco da freguesia, e do sr Ministro das Corporações
ter descerrado uma placa comemorativa do acto, que se encontrava coberta
com a bandeira nacional, e ainda de ter percorrido todo o edifício onde
admirou as suas modelares instalações, o ilustre membro do governo
presidiu a uma sessão solene, ladeado pelas individualidades que compunham
a mesa, na inauguração da Casa do Povo em Suçães e do deputado sr. Dr.
Águedo de Oliveira.
O coronel Faria pronunciou palavras de saudação e agradecimento ao ilustre
membro do governo e às demais autoridades presentes …
Seguiu-se o sr Joaquim Maria Rodrigues que agradeceu em nome do povo de
Frechas pela presença nesta cerimónia festiva do Ministro das Corporações,
tendo solicitado a construção de uma ponte.
A menina Constança Nestal, do rancho folclórico local, recitou uma poesia
de saudação ao ilustre visitante.
O Presidente da Câmara, Eng.º Ag.º José Clemente Sanches Dias Pereira,
depois de endereçar cumprimentos ao membro do governo, agradeceu a honrosa
visita ao concelho e pediu ao titular da pasta das corporações toda a sua
colaboração, no sentido de, no nosso concelho, virem a ser inauguradas
muitas mais Casas do Povo, para assim se processar a tão desejada elevação
do meio rural.
O ministro referiu que não podia dar a ponte à povoação. Saudou a mãe que
se encontrava a assistir à cerimónia…regressou a Lisboa num avião militar;
A guarda de honra, tanto em Suçães, como em Frechas foi feita pala corpo
activo das Corporações dos Bombeiros Voluntários de Mirandela…
(Na mesma página há um provérbio: «os que podem, aos que precisam»; «Deus
lhe pague cem por um»
25/2/68
Problemas do meio rural
A formação pessoal e social
Impunha-se desde há muito cultivar e dar continuidade aos ensinamentos
adquiridos durante o período de escolaridade obrigatória. Para tal, e
aproveitando a técnica da rádio e televisão, meios poderosos de
comunicação, o Instituto de Meios Audiovisuais de Ensino está dando
valiosa contribuição, na elevação do nível cultural e social de todas as
camadas populacionais, criando e formado valores humanos no campo das
letras, das artes e das ciências.
Não vai longe o tempo em que milhares de crianças terminavam a sua
valorização cultural após o exame da 4ª classe.
O aparecimento da televisão permitiu que milhares de crianças de famílias
humildes pudessem, através dos cursos unificados da telescola, continuar a
sua valorização, cabendo ao professor primário, neste campo, dar o seu
contributo –lançar uma nova semente no campo que, sob a sua acção, se
desbravou. Não ficou a Junta de Acção Social indiferente a tão importante
empreendimento de recuperação da família rural, no aspecto cultural e
social promovendo nas Casas do Povo, a par de outras iniciativas de
formação, a instalação de postos de recepção da telescola. Assim, no
distrito de Bragança montaram-se, no ano lectivo e curso (67/68), 6 postos
de recepção nas Casas do Povo de Bemposta, Coelhoso, Frechas, Parada,
Sendim e Torre de D.Chama, regidos por professores primários.
O responsável pelo departamento das corporações, ao anunciar um vasto
programa de formação profissional, teve ocasião de afirmar que 2º opinião
de eminentes economistas, menos de 1/3 do aumento do rendimento nacional
se explica por acréscimo dos factores de produção –capital e mão-de-obra—e
que o restante deve ser atribuído a melhorias qualitativas desses
elementos, tais como capitais mais produtivos, recursos humanos mais
valorizados, economias provenientes do alargamento das dimensões da
empresa e de outros factores.
Nesta linha de pensamento, está, pois, o enriquecimento do elemento de
trabalho; no seu aspecto qualitativo, com as suas enormes potencialidades
da fixação da mão-de-obra, por maior resistência oferecer à tentação da
emigração.
Este trabalho de pesquisa foi-nos facultado pelo nosso estimado
amigo Professor Albano Viseu, doutor em História pela FLUP, a quem deixamos público reconhecimento.
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