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Vale da Sancha
É muito provavelmente a localidade mais
antiga das 3 que compõem a Freguesia de Frechas.
Atendendo às boas condições climatéricas e de exploração do solo, o seu
território foi desde muito cedo habitado pelo homem da pré-história.
Comprovam-no, nomeadamente, os vestígios arqueológicos aqui existentes,
bem como as três pias para moer bolota e cereal para pão, baga de zimbro
para extracção de óleo, o qual era utilizado na iluminação e na
alimentação. Estas pias escavadas nas rochas, localizam-se no monte do
Viso.
Existem ainda indícios de uma civilização Castreja fortificada neste
local.
Do período de fixação Romana, de acordo com o topónimo Viso, do Monte do
Viso, o de maior altitude na zona, é muito provável que aqui se tenha
localizado uma torre de vigia e defesa da zona, posteriormente, até um
Castelo Roqueiro.
Também a onomástica da fraga do castelo, referente ao penedo de grande
extensão existente nas proximidades, poderá indiciar que aqui se terá
situado uma povoação, envolvendo um natural centro de defesa da região.
Tendo em conta a forma intensa como os romanos exploravam o solo, terão
deslocado parte da população de Vale da Sancha, sobranceira ao Monte do
Viso, para a margem do rio Tua, onde produziriam nomeadamente azeite,
vinho, cereal e frutos secos, parte dos quais seriam encaminhados para
Roma.
Na idade média, no monte do viso, foi edificada a capela de Nossa Senhora
do Viso, a qual ainda hoje lá se localiza.
Também a primeira carta de foral de Frechas, está intimamente ligada a
Vale da Sancha, na medida em que Dona Sancha, de quem se acredita esteja
na origem do topónimo de Vale da Sancha, mulher rica e abastada desta
localidade, foi casada com Lourenço Soares, Senhor donatário de Frechas, o
qual lhe terá atribuído a primeira carta de foral com data anterior a
1258. Deste casamento, nasceu Branca Lourenço, mulher bonita que à época,
conforme diversos documentos referem, foi paixão de El´Rei D. Dinis, a
quem “vendeu o corpo”.
Também a Fonte dos Engaranhados, bem como uma outra que existiu à entrada
da Aldeia, demolida há cerca de 50 anos, revelam que Vale da Sancha foi
uma zona agrícola de grande importância para os Romanos.
De acordo com o Paroquial Suevo do séc. VI, neste período, Frechas e Vale
da Sancha inseriam-se no Paroquial de Lactera – Terra de Laedra (Ledra).
Segundo a versão de alguns populares, Vale da Sancha foi em tempos uma
Freguesia autónoma. Ana Rita, octogenária desta localidade, afirma mesmo
que o Padre Joaquim Peres, terá levado todos os documentos para Frechas.
Entretanto, há muito pouco tempo, a Junta de Freguesia de Frechas, foi
questionada por um departamento da Administração Pública, sobre a data em
que Vale da Sancha deixou de ser Freguesia. Obviamente que na resposta se
informou desconhecer-se tal informação, contudo, a partir desta
solicitação, mais crédito se dá à versão de que Vale da Sancha, foi
efectivamente sede de Freguesia. Contudo a partir deste pedido, e porque a
história é algo que deve ser do completo e perfeito conhecimento do seu
povo, de imediato a actual Junta de Freguesia, se vem multiplicando em
contactos diversos afim de obter documentos verídicos, sobre este assunto.
São também dignas de registo, as referências do Padre Ernesto de Sales,
bem como documentos de outros autores, onde se afirma que Vale da Sancha
foi uma interessante zona mineira.
Vale da Sancha, tal como as demais Vilas e Aldeias do interior do País,
assistiu nos últimos tempos, nomeadamente a partir da segunda metade do
séc. XX, à emigração para o estrangeiro, bem como à migração para o
litoral português de um grande número dos seus nativos, alguns dos quais
foram entretanto regressando, daí que se vive nesta Terra uma intensa
actividade agrícola.
Trata-se de uma pequena aldeia tipicamente transmontana, onde se assiste
ainda nos dias de hoje, nomeadamente aos Domingos, às vivências sociais de
outros tempos, tentando desta forma manter bem vivas as tradições de boas
vizinhanças de outras épocas, as quais, lamentavelmente, vão estando cada
vez mais arredadas na grande maioria das nossas aldeias. |