Junta de Freguesia de Frechas Junta de Freguesia de Frechas

História

Frechas

Banhada pelo rio Tua, na sua margem esquerda, a cerca de uma dezena de quilómetros e para SSE da cidade "Princesa do Tua", há uma aldeia que tem o nome de Frechas. É também sede de uma freguesia formada por mais duas anexas: Cachão (ou Vila Nordeste) e Vale da Sancha. Frechas foi Vila e teve concelho próprio, extinto em 1836, passando nessa data para o atual. D. Manuel I deu lhe foral em 10 3 1513. Faziam parte do Governo local (civil), dois Juízes ordinários, vereadores com seus oficiais, subordinados ou ouvidores de Vila Flor. Ao Governo militar assistia o capitão de uma Companhia de Ordenanças, subordinada ao capitão de Vila Flor. Foi seu donatário, de juro e herdade, o Sr. da Casa de Vila Flor, que na vila de Frechas apresentava o ofício de tabelião. Entrava nela em correição o Corregedor de Torre de Moncorvo. Eclesiasticamente, a antiga freguesia era uma Vigararia ad nutum da apresentação do reitor de S. Lourenço de Libela. O seu orago é o S. Miguel. O povoamento do seu termo perde se no tempo, pois os vestígios arqueológicos são variados, e testemunham diferentes épocas de ocupação. É o caso do povoado fortificado chamado Fraga do Castelo em Vale da Sancha. Em 28 de Janeiro de 1875 passou a ter escola primária, embora já o Diário de 1852 deixa supor que já a tinha. Reparemos nos dados sócio económicos em 1796 com algum interesse: 224 homens, 203 mulheres, 2 barbeiros, 3 eclesiásticos seculares, 1 pessoa literária, 3 sem ocupação, 2 negociantes, 1 cirurgião, 26 lavradores, 24 jornaleiros, 3 alfaiates, 5 sapateiros, 5 carpinteiros, 1 ferreiro, 4 moleiros, 1 barqueiro arrais, 12 pastores, 10 criados e 9 criadas. Em 1950 tinha 823 habitantes. Na década seguinte tinha 8 produtores de azeite abastados, 2 armazéns de azeite, (no Cachão), Casa do Povo, 4 mercearias e 2 minas de arsénio, ouro e prata, e 1 professora. Mas em 1981 eram 1794, o que não se pode separar de dois factos importantes: o desenvolvimento do Complexo agroindustrial do Cachão e o regresso de ex colonos africanos após a independência dos territórios portugueses em 1974/75. Depois, em 1991 eram 1.471 residentes e, em 2001 ultrapassava ainda o milhar: 1139. Destes 543 eram homens. A grande maioria destas pessoas dedicam se à agricultura e um pouco à pecuária. Noutras atividades, apenas alguns na área do Cachão ou na cidade. Tem bons terrenos lateralmente ao rio Tua, atravessados pela Ribeira que vai desaguar ao rio, bem perto da povoação, para o seu lado sul. Por isso, a par de uma agricultura aprendida de geração em geração, também se vê alguma mecanização. Carroças e tratores ou carrinhas. Charruas e arados, enxadas, mas também estufas e técnicas agrícolas mais modernas. Produzem abundantemente azeite, vinho, hortaliças, frutas e cereais. Há alguma pecuária: 5 rebanhos de ovelhas e um de cabras, bem como alguns muares para os trabalhos rurais. Em 1995 tinha 5 cafés, 3 mercearias, 1 sapataria, 2 negociantes, 1 marceneiro, 1 alfaiate, 1 ferrador, 1 sapateiro, 1 padeiro, isto na aldeia de Frechas. As casas da freguesia apresentam, em muitos casos, o seu tipicismo regional, com xisto, rés do chão e primeiro andar, escadas exteriores. Sobressaem algumas construções apalaçadas, como as do Turismo Rural para o fundo da povoação, na rua virada para o rio, ou no Terreiro de Santa Ana, uma Casa Brasonada com capela lateral nascente e a data de 1768. Outras Casas Transmontanas apalaçadas e ricas, como a Casa dos Araújos junto à Capela de S. Sebastião com a data de 1961, ou a outra do lado, pela Rua de S. Sebastião cuja data de 1957 mostra bem o seu estilo. Logo na Rua da Estação, que dá acesso à aldeia, a partir da E. N. 213 (Mirandela/Vila Flor), encontramos à direita: um cruzeiro, a escola pré-primária e primária com o seu jardim fronteiriço, a sede da Junta de Freguesia. Lá mais à frente, depois de passarmos por entroncamentos de várias ruas que vão dar a esta principal, como a rua das Alminhas com nicho em azulejo, chegamos ao Largo do Pelourinho. Àquele Largo vão ter e partem outras ruas que também são fundamentais para o movimento local: a de S. Miguel que segue para a Igreja e para o Bairro de N.ª  Sr.ª de Lurdes, e a outra que parte em direção contrária e dirigida à Rua do Rio e Rua de Santa Ana. A juntar a outras secundárias para outros sentidos que vão embocar nestas, ficamos com a forma como se estendeu o seu povoamento. O Pelourinho, indiferente aos dias que passam, ostenta bem o símbolo da autonomia judicial que Frechas tinha quando era concelho. Tem 5 degraus também em granito, de forma quadrada, onde assenta o Corpo do Pelourinho. Depois, tem forma octogonal com esquinas quebradas, e flores esculpidas por elas acima, numa altura de 4,60 metros. O capitel, em forma de cruz grega, termina em 4 braços: dois em carantonha, um em florão e o 4.° em furo. Sobre o capitel assenta um paralelepípedo ornado na parte norte por duas caras, uma das quais barbada e coroada: nele está uma figura feminina, o escudo nacional orlado por 5 castelos, e na outra face o escudo dos Sampaios. Completa o conjunto, um cilindro de vários ornatos, dispostos em 4 faixas. A Igreja é imponente, com Torre Sineira de 4 sinos, lateral esquerda, para o lado que dá acesso do adro para o cemitério. Do outro lado, um bonito pináculo frontal, contrabalança o desequilibro harmonia] de formas da estética do edifício. Sobressaem ali os portais, as esquinas e os cunhais em granito bem aparelhado. Bem como duas pequenas aberturas ovais, com conchas a ornamentar nas partes superior e inferior, como se fossem dois olhos por onde os santos do seu riquíssimo altar mor e laterais com a talha dourada recebessem a luz do dia ou o luar das noites quentes de agosto. O relógio vê se que é mais recente, mas não estraga a estética. De resto, as árvores do adro e o portão de entrada, dão um ar de local de culto e de respeito. Já na rua, mas paredes meias com a entrada, fica a Casa Paroquial com rústica escada exterior em granito. Frechas possui ainda outras estruturas e aspetos dignos de registo. A saber: a Capela da Sr.ª de Lurdes lá no cimo da povoação, as pontes da C. P. e da Ribeira. Esta, tipo românico, em pedra e de arco redondo, foi alargada há 6 anos. A Fonte do Rio, o Campo de Futebol, a Associação Cultural. A praia fluvial e o grande lavadouro público que ainda continua a ser o rio Tua, com as pedras de esfregar a roupa bem limadas. Nele, estão os restos de uma azenha junto do povo. As outras também já se não notam: eram mais 3 até ao Cachão e uma até às Latadas. Pelo que, em tempos ainda não muito distantes, os moleiros abundavam por ali, a par de alguns pescadores que iam vender o peixe na região. A Festa principal é em honra de S. Miguel, e costuma realizar-se a 29 de setembro. Fazem parte desta freguesia as aldeias de: Frechas, Cachão e Vale da Sancha.


Cachão

É uma aldeia da Freguesia de Frechas, dista desta cerca de quatro quilómetros, localizado junto ao Rio Tua. A toponímia Cachão, teve a sua origem no Rio Tua, que neste local fazia um cachão, ficando assim a denominar-se. Na segunda metade do Século XX, foi criada a Paróquia de Santo Isidro do Cachão.

A sua notabilidade provem-lhe de nos meados do mesmo século, aí construírem o Complexo Agroindustrial do Cachão, numa época em que o país continuava a ser essencialmente agrícola se deparava com graves problemas neste sector, que o situavam em algumas décadas de atraso, em relação aos restantes países europeus.

O velho e cansado minifúndio cerealífero do Nordeste Transmontano, tratado por métodos arcaicos, deixara de produzir o necessário para fazer face às necessidades da população, que havia aumentado significativamente nos finais do Século XIX e ao longo do Século XX. Era imprescindível acompanhar a mudança social ocorrida na Europa. Por outro lado, não havia colocação, escoamento para os produtos agrícolas, os consumidores locais tinham pouco poder de compra e para serem enviados para os centros urbanos era custoso, pela dificuldade e morosidade de transporte, problema hoje totalmente desaparecido com a abertura do IP4, com ligação a Mirandela.

Nos meados do Século XX, os trabalhadores agrícolas não tinham outra alternativa senão emigrarem, à procura de melhores condições de vida e foi o que fizeram, deixando o Nordeste Transmontano quase despovoado, onde ficaram quase só as mulheres, crianças, velhos e doentes, embora posteriormente as mulheres optassem por seguir os maridos conjuntamente com os filhos. No concelho de Mirandela o processo migratório quase se não fez sentir, porque surgiu um homem, Eng. Camilo de Mendonça; que iria revolucionar o regime agrícola tradicional, criando aqui condições para melhoria do nível de vida das populações.


Vale da Sancha

Situada na encosta de um monte era outrora uma quinta, que ao longo dos séculos foi progredindo, no presente, com um número razoável de habitantes, dizem os vigentes que Vale da Sancha já foi freguesia, como constava nos livros antigos, mas que o padre Joaquim Peres levou tudo para Frechas, depoimento de D. Ana Rita, de 88 anos, oriunda e residente em Vale da Sancha.

A toponímia surgiu por aqui ter havido uma D. Sancha, proprietária de um correr de casas que visitámos na ancestral Rua da Fontinha, onde existia uma outra fonte romana, com bebedouro e lavadouro, desaparecida há anos, da qual resta uma fotografia, que neste trabalho apresentámos. Em frente à antiga fonte, do outro lado da rua e construído mais tarde, situa-se o antigo tanque público destinado à lavagem da roupa, hoje sem uso algum, sendo a água empregue na rega dos terrenos envolventes. Atrás da antiga fonte, em nível superior, localizava-se uma casa, que embora em ruínas aparenta tratar-se de um edifício de aspeto grandioso com colunas interiores, eira e forno, conforma pode verificar-se na fotografia da antiga fonte romana, já desaparecida, pertencendo no passado a Joaquim dos Santos Avidagos, herdada por seu sobrinho, Américo Avidagos.

Possivelmente, os primeiros habitantes do termo de Frechas ter-se-iam fixado aqui, que os romanos incentivaram a deslocar-se para o Vale do Tua, Frechas, mas que nem todos o fizeram, por aqui haver abundância de água e o solo ser fértil.

Segundo o Padre Ernesto Sales, no Cabeço Figueiro, havia uma mina de chumbo e outros metais, cuja jazida existente se encontrava em terreno xistoso. Quartzos com pirites constituíam o filão em quantidades significativas.

Numa análise posterior, foi detetada a existência de ouro e prata, com predominância deste último metal. A vertente do filão é Leste/Oeste, entre 80 e 85 graus na direção Sul.

Tal como consta no Boletim de Minas de 1912, as pesquisas centraram-se num poço de 20 metros de profundidade sobre explorações anteriores em toda a extensão do filão, numa profundidade de mais 20 metros. Também nesta serra se localizam grandes e profundos fojos, não se sabendo ao certo a sua origem e serventia, mas que o povo diz terem sido feitos pelos mouros.

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